
encomendado por Maria Cláudia
Há muito desconfiava que me preparam uma armadilha. Desconfio desde o primeiro momento que olhei fundo no lado escuro e pude ver os vultos. Seriam fantasmas ou alucinações? Espíritos inquietos que assistem minha vida e murmuram entre si, compartilhando seu desejo por sangue. É deles que emergirá minha morte, não de meus sete ministros, que agora me chamam a atenção, tentando afastar-me desses pensamentos e distrair-me da estranha realidade que se insinua, numa cena tantas vezes repetida. Eles propõem um brinde e sorriem, mas apesar dos dentes arreganhados seus olhos denunciam o sorriso falso, olhos que não conseguem esconder uma ânsia desesperada. Somente agora posso dar conta de que tudo ao meu redor é verdadeiramente falso, até mesmo esse corpo que não é meu.
Esse é o momento em que a tragédia se concretiza, quando a terrível fatalidade tramada pelo sentimento mesquinho de um desconhecido recai sobre mim. Tudo é controlado para que esses olhos estranhos na escuridão acreditem numa lenda tola, como essa luz que se afunila sobre o cálice reluzente... deveria beber o brinde envenenado e me entregar a essa vida que não escolhi?
Corro para fora desse mundo artificial, enfrento esse espaço obsceno sem medo de atravessar o lado escuro... ignoro a surpresa dessas pessoas que não podem entender minha verdadeira tragédia. Fujo através da cidade para me jogar da primeira ponte que encontrar, assim não me mato sozinho e levo comigo o corpo infame desse ator que me interpreta.
(imagem de Joan Ponç)
Esse é o momento em que a tragédia se concretiza, quando a terrível fatalidade tramada pelo sentimento mesquinho de um desconhecido recai sobre mim. Tudo é controlado para que esses olhos estranhos na escuridão acreditem numa lenda tola, como essa luz que se afunila sobre o cálice reluzente... deveria beber o brinde envenenado e me entregar a essa vida que não escolhi?
Corro para fora desse mundo artificial, enfrento esse espaço obsceno sem medo de atravessar o lado escuro... ignoro a surpresa dessas pessoas que não podem entender minha verdadeira tragédia. Fujo através da cidade para me jogar da primeira ponte que encontrar, assim não me mato sozinho e levo comigo o corpo infame desse ator que me interpreta.
(imagem de Joan Ponç)









