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Quinta-feira é outro dia das Irmãs de Espírito. Imediatamente procuro Mara:
_ ... você não imagina as coisas que a Cidinha falou de você, Jesus a condene! Uma indecência fofocar assim com tanta maldade... Começamos juntas a bolar um caso para que o ministério da Igreja a tire de área. Menos uma pra me azucrinar. No caminho de volta não resisto a comprar uma torta confeitada divina que devoro sozinha antes de entrar em casa.
Sexta estou lenta, tomada de uma preguiça safada. Vou encontrar um amigo que transa comigo por falta do que fazer. Pareço cadela no cio e sinto vontade de dar pra desconhecidos, me masturbo nervosa quando fico presa no trânsito. Em casa seduzo meu marido mas não deixo que faça muita coisa. É um êxtase ver o coitado se humilhando todo por nada.
Sábado desapareço logo pela manhã, não dou satisfação a ninguém e vou direto conversar com o bruxo. Ele é arrogante e impaciente porque sempre peço a mesma coisa... Então oramos juntos e dessa vez coloco meu sangue misturado no feitiço, já chorando a morte de toda a minha casa e imaginando o silêncio novo das tardes. Só tenho um pouco de angústia por lembrar que no dia seguinte vou me arrepender de tudo e acordar ainda mais redimida, ainda mais maternal... suplicar em segredo o perdão de cada palavra daninha e empanturrar todos com meu amor sem fim.
(imagem de Willian Blake)