
Na noite da véspera de minha prova para a EAD tive um sonho premonitório. E apesar de meu envolvimento com o tarô não costumo ser dado a esses dons. O fato é que estava num prédio semelhante a uma escola pública e deveria fazer a minha cena da EAD, no caso, uma cena de “A Orquestra de Senhoritas”, de Jean Anouilh, mas deveria fazer a cena para o Antunes Filho, que estava descontraído, sempre mudando de lugar na escola e eu tinha que ficar correndo atrás dele com o violino. Quando chegou minha hora e coloquei o chapeuzinho de Dona Plácida, que peguei emprestado para a cena, Antunes deu o primeiro aviso:
_ Você fica ridículo com esse chapéu...
E quando ia começar a tocar violino ele me interrompeu dizendo que não podia tocar. No sonho não fiquei preocupado porque lembrei que não era para o Antunes que deveria fazer aquela cena...
No dia seguinte: Seria o chapéu? Meu nervosismo? A pretensão de querer mostrar que toco violino para a banca? Minha má atuação? Ou seria a confusão de Nanci Fernandes, a ilustríssima professora de teoria da EAD que resolveu ter lapso de memória bem na minha prova. Com todo respeito à posição daquela senhora e seus livros publicados, tenho que dividir com o mundo o acontecido. Quando anunciei o texto e o autor ela duvidou... disse que não achava que era daquela autor. Fiquei desconcertado, tentei remediar, dizendo que em francês o título era apenas a “A Orquestra”, mas ela insistiu com voz desdenhosa:
_ É... eu acho que não é desse autor mas tudo bem...
O que deveria ter feito? Deveria ter insistido? O caso é que não passei e espero que tenha sido por causa de minha péssima atuação, ou por causa do chapéu, e não porque aquela senhora me viu como um candidato que não sabe nem o autor que está interpretando.
Dona Nanci! O mundo tá equivocado então, o texto que peguei na biblioteca Lasar Segall também. Temos que corrigir isso e impedir que continuem encenando essa peça com o autor trocado, já que até na França eles tem cometido esse erro... ou então vamos convocar uma sessão espírita e pedir para o Senhor Jean explicar melhor essa história, já que senhora com certeza não pode ter se enganado. És uma enciclopédia! Como bem definem seus alunos...

Ah tio Antunes... valeu pela dica do chapéu, deixo ele agora só pra Dona Plácida mesmo.