segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ainda um sonho


Como num barco de loucos seguem pedaços de minhas paixões condenadas: Sem pernas, corcundas ou peladas, são bestas inocentes que transformam a morte eminente em mais um desvario alegre.

Quero seguir viagem na orgia dos lunáticos!



(imagem de Bosch)



quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

3 em 1


Um passo já foi dado! Aqui está o flyer de divulgação do 3 em 1, prêmio Interações Estéticas da FUNARTE, que desenvolverei junto com o Ponto de Cultura Commune.
Em breve teremos um blog exclusivo para o 3 em 1.
Aguardem novas informações.
Estão todos convidados a participar...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A Trágica Orquestra ou Bem que o Antunes tentou me avisar

Na noite da véspera de minha prova para a EAD tive um sonho premonitório. E apesar de meu envolvimento com o tarô não costumo ser dado a esses dons. O fato é que estava num prédio semelhante a uma escola pública e deveria fazer a minha cena da EAD, no caso, uma cena de “A Orquestra de Senhoritas”, de Jean Anouilh, mas deveria fazer a cena para o Antunes Filho, que estava descontraído, sempre mudando de lugar na escola e eu tinha que ficar correndo atrás dele com o violino. Quando chegou minha hora e coloquei o chapeuzinho de Dona Plácida, que peguei emprestado para a cena, Antunes deu o primeiro aviso:

_ Você fica ridículo com esse chapéu...

E quando ia começar a tocar violino ele me interrompeu dizendo que não podia tocar. No sonho não fiquei preocupado porque lembrei que não era para o Antunes que deveria fazer aquela cena...

No dia seguinte: Seria o chapéu? Meu nervosismo? A pretensão de querer mostrar que toco violino para a banca? Minha má atuação? Ou seria a confusão de Nanci Fernandes, a ilustríssima professora de teoria da EAD que resolveu ter lapso de memória bem na minha prova. Com todo respeito à posição daquela senhora e seus livros publicados, tenho que dividir com o mundo o acontecido. Quando anunciei o texto e o autor ela duvidou... disse que não achava que era daquela autor. Fiquei desconcertado, tentei remediar, dizendo que em francês o título era apenas a “A Orquestra”, mas ela insistiu com voz desdenhosa:

_ É... eu acho que não é desse autor mas tudo bem...

O que deveria ter feito? Deveria ter insistido? O caso é que não passei e espero que tenha sido por causa de minha péssima atuação, ou por causa do chapéu, e não porque aquela senhora me viu como um candidato que não sabe nem o autor que está interpretando.

Dona Nanci! O mundo tá equivocado então, o texto que peguei na biblioteca Lasar Segall também. Temos que corrigir isso e impedir que continuem encenando essa peça com o autor trocado, já que até na França eles tem cometido esse erro... ou então vamos convocar uma sessão espírita e pedir para o Senhor Jean explicar melhor essa história, já que senhora com certeza não pode ter se enganado. És uma enciclopédia! Como bem definem seus alunos...


Ah tio Antunes... valeu pela dica do chapéu, deixo ele agora só pra Dona Plácida mesmo.


sábado, 28 de novembro de 2009

Mi mi miiiii... e Beethoven!



Não é um pérola isso?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Grito de libertação!


Saudações leitores imaginários. Atualmente estou mais para autor imaginário também, mas acontece que de uns tempos pra cá fui desencanando um pouco do blog, e acho isso positivo num certo ponto. O caso é o seguinte: apesar de toda a paixão pela fabulação e pela literatura, concluí ultimamente que alimento um desejo estranho nessa persistência em ser escritor. Minha necessidade verdadeira não é a literatura, ou a música, ou o teatro... é sim a arte! E em cada fase de minha vida essa busca tende mais para um lado, estou atualmente numa onda teatral forte, além de estar em cartaz estou fazendo testes, hoje fiz cena pro Antunes Filho e estou me preparando para prestar a EAD. Cada vez mais sou atraído para o palco, enquanto no fim das contas a literatura tem me parecido apenas vaidade, sabe? Como se uma parte de mim tenha se convencido que o grande negócio é ser escritor e se imortalizar... (ou seja, um interesse mesquinho apenas pela casca, não pelo sumo verdadeiro)! Claro que não pretendo parar de escrever, mas cansei de ficar me cobrando isso... se gostasse tanto assim de escrever ficava em casa escrevendo e não buscando tantas outras experiências. O blog continua... mas acho que ele vai acabar se tornando mais um diário mesmo, claro que um diário meio ficcional que não dispensará também os contos, fábulas e devaneios poéticos...

Engraçado, alguns começam no diário e caminham para a ficção.

Parece que fiz o contrário.

Da ficção descobri a maravilha de se registrar essa cruel passagem dos dias.


(imagem de Chagall)


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sobre a fome doida de nosso tempo


Seja no teatro, cinema, espetáculo musical ou qualquer lugar onde tenha uma multidão cuidado com as pessoas. Cuidado com a massa! Já repararam que estamos numa época de uma selvageria brutal como há muito não se via? Cada pessoa sozinha é frágil como um gatinho, mas é só sentirem o cheiro de outros que começam a esquentar os poros e se entendem em consciência de manada. Sem nem saber porque já estão gargalhando diante de qualquer coisa que se apresente a elas, seja um palhaço no palco, um vestidinho curto ou uma cena sangrenta de assassinato. A maioria já não se contém e joga de lado qualquer educação que um dia receberam e deixam que o corpo se entregue a espasmos que por não compreenderem resulta em reações diversas: começam a falar coisas sem sentido, tiram fotos sem parar, coçam-se, têm crises histéricas, masturbam-se.

Quem está no palco mexendo com as emoções da massa que se cuide, diante de tantas vísceras expostas pode-se despertar um acesso de regozijo terrível e antes que o artista perceba estará sendo devorado por bocas sanguinárias de puro amor.


(imagem de Dali)


sábado, 31 de outubro de 2009

O ataque dos panetones eternos


Queria já ter falado nisso antes, precisava já ter falado porque o caso é antigo. Todo ano é a mesma coisa, estou geralmente andando apressado pelo supermercado quando, virando numa estante trombo com eles: pilhas de panetones! E em qual mês estamos? Setembro, outubro? Eles sempre chegam cedo demais prenunciando o fim irremediável de cada ano. Como uma sina maldita que vem enfatizar o lado diabólico do natal.

Vontade de deixar o tempo fluir livre desses compartimentos que chamamos de anos, datas, dias santos...

Agora nos chega o dia dos mortos, noutras terras as bruxas se libertam e muito antes disso os panetones já estavam lá à nossa espreita nas prateleiras inevitáveis, aguardando os malditos pisca-pisca, os falsos bonecos de neve, os papais-noéis e tantos símbolos soberbos que não deixam nem o pobre do Jesusinho aparecer.

Tumbalacatumba que eu prefiro dançar com as caveirinhas!